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Gatinha

GATINHA

Hoje, caminhando na rua, parei pra acariciar a gata branca da vizinha- adoro gatos- e me lembrei de Gatinha. Gatinha também era branca, mas com algumas manchas negras. Eu a tive quando morei em Campinas, e que, por falta de opção, a gente a chamava assim, Gatinha. Ela era muito arredia e agressiva com todos, menos comigo. Aceitava, não de muito bom grado, diga-se de passagem, que meus room_mates lhe dessem comida, quando era eu, ela quase demonstrava alguma felicidade- era uma felina discreta, muito discreta...
Confesso que me apeguei a ela. Às vezes, eu fantasiava que Gatinha tinha se tornado um humano felino ou felinumano, sem ter perdido os pelos do corpo, a minha fiel- na verdade leal já estaria bom- companheira...namorada... a menina ideal, arredia e agressiva com os demais, menos comigo, mas ainda assim eu deveria saber como me aproximar...
Certa tarde, eu tava deitado de costas no colchão em que dormia, cochilava, despertei, ela tava deitada no meu peito, olhei-a nos olhos e fechei os meus vagarosamente- pois é assim que se conversa com os felinos...pra eles sentirem que não chamam atenção, e não correm perigo; ela também fechou os seus em cumplicidade, e me perguntou, “tudo bem aí?”.
Tive um arroubo de entusiasmo, eu ouvira a gatinha falar, mas não o demonstrei, teria sido muito canino de minha parte; não fora uma pergunta qquer, ela perscrutara, ela via, sabia das regiões freqüentemente intranqüilas da gente- olhei significativamente pra os seus olhos- eu acabara de me sentir bem melhor, e, com voz embargada, disse lhe- “ agora sim”.
Não muito tempo depois ela estava com um porquinho da índia do vizinho ao lado na boca, era uma gata muito selvagem e carnívora aquela. Todo manchado de sangue o preá gritava desesperado, vi a cena e sorri desdenhoso: todos os roedores, à exceção dos ratos cinzas vadios noturnos que rondam os esgotos, porões e armazéns carregados de comida, me parecem o vazio personificado, a futilidade impera nos seus olhos inexpressivos.
Então eu disse a ela, muito bem, Gatinha. Mas meu room_mate feliz aparecera ali naquele instante, escandalizado, atirou pedras na felina pra que ela soltasse o estúpido, inócuo e insignificante preá. Ela, arredia como sempre, abandonou o banquete e desapareceu, o preá ficou ali, o room_mate foi tentar pegá-lo e o preá assustado mordeu-lhe a mão, saiu sangue, não pude deixar de rir. Por fim ele pegou o bichinho estúpido e devolveu ao turco fedorento, seu dono e nosso vizinho.
Gatinha apareceu morta dois dias depois no quintal, o vizinho fedorento a envenenara, como já vinha fazendo com todos os felinos da região, quer comessem ou não os seus preás. O room_mate feliz disse qualquer coisa, enquanto víamos o seu corpo estendido no chão- ela tinha a lingüinha pra fora. Olhei-o bem nos olhos, “pelo menos o preá tá bem, parabéns meu caro”.

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Às 22:09 em 8 janeiro 2009, oficina da poesia disse...
participe do nosso concurso literário. temos cinco olheiros de editoras interessados em novos talentos. sucesso. Excluir comentário
Às 22:45 em 29 dezembro 2008, oficina da poesia disse...
OLA SAN! RESPONDENDO A SUA PERGUNTA. É UM CONCURSO LITERÁRIO E PODE SER CRONICA,CONTO,POESIA,PROSA, CORDEL,DESDE QUE NÃO ULTRAPASSE AS 50 PG. BOA SORTE POETA.
Às 21:05 em 29 dezembro 2008, Cristina Bonetti disse...
Tadinha da gatinha...
Às 19:48 em 29 dezembro 2008, Cristina Bonetti disse...
Olá, Lucifer. Tudo bem contigo?
Nunca me falaram que me pareço com a Ana Cristina, não!
São bonitos os poemas escritos po ela?
E os teus poemas? (Eu gostaria muito de ler teus textos.)
Fiquei feliz por aceitar ser meu amigo.
Beijo no coração!
Às 17:13 em 24 dezembro 2008, oficina da poesia disse...
A amizade é um investimento sábio. Os tesouros da vida são todas as pessoas. Perceba que nunca é tarde demais. Faça coisas simples de uma forma simples. Tenha saúde, esperança e felicidade. Encontre tempo para fazer pedidos a uma estrela. E nunca jamais esqueça, por sequer um dia, o quanto você é especial!

Tenha um Feiz Natal cheio de paz, alegria, familia, saúde e que sua casa esteja envolta de serenidade
são os meus mais sinceros Votos para vc e toda sua família neste Natal.
Às 17:49 em 21 dezembro 2008, oficina da poesia disse...
bem vindo lucifer sam, sucesso sempre.
 
 
 

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